Um dos assuntos que eu pretendo discutir neste blog são as políticas culturais.
Durante a minha pesquisa de mestrado realizei um extenso levantamento hemerográfico dos dois principais jornais de Belém (Diário e Liberal), a constatação foi triste: Não existe discussão nas grandes mídias impressas sobre políticas culturais no Estado do Pará.
Os cadernos de cultura dos dois jornais se limitam a informar os eventos que acontecem principalmente em Belém ( shows, festas, etc.). É triste ver a ausência de debate sobre assunto tão relevante, inclusive frente às ineficientes e quase inexistentes políticas culturais do (e no) nosso estado. Nem precisamos ir tão longe pra comparar. Aqui do lado, no nordeste, em Fortaleza, os dois principais jornais do estado (Diário do Nordeste e O Povo) empreendem um debate importante sobre o assunto, inclusive gerando interlocução com intelectuais locais e nacionais, população, classe artística, ONGs, sociedade, governo e prefeitura.
Enquanto em Belém o debate inexiste, em Fortaleza ele cresce assim como a qualidade das políticas culturais desta cidade e também do estado do Ceará. Na verdade não cheguei a nenhuma conclusão sobre a relação entre a discussão pública (através dos meios de massa) e a crescente qualidade de políticas publicas nesta aera, até porque esta não é minha intenção no mestrado, mas vale a constatação como forma de observação e reflexão sobre a nossa realidade e quem sabe como uma alfinetada nos pautistas dos jornais e nos próprios intelectuais. O debate faz parte da política é sempre bom lembrar.